Jean Damascene Hakuzimana

O bloco da África Oriental inclui os seis países: Burundi, Quênia, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia e Uganda. Nos últimos dois anos, Uganda e Ruanda cortaram as relações bilaterais e Ruanda fechou suas fronteiras em março de 2019. Os países se acusam mutuamente de abrigar elementos que pretendem desestabilizar a segurança nacional. Os esforços de mediação foram cancelados quando a pandemia COVID-19 se estabeleceu. Recentemente, Uganda anunciou que não permitiria que ugandeses viajassem para Ruanda, um movimento que surpreendeu muitos que haviam antecipado a normalização das relações em um futuro próximo. Ruanda relatou a deserção de um oficial militar ativo para o exército de Uganda. Enquanto isso, de acordo com o The Observer, uma companhia de impressa Ugandesa, em 11 de agosto Uganda acusou sete dos seus ativos oficiais de segurança de compartilhar inteligência secreta com Ruanda. Dadas as disputas em curso, a tão esperada abertura da fronteira para o comércio terá de esperar um pouco mais.

Para adicionar lenha ao incêndio regional, as relações do Burundi com Ruanda também têm sido tumultuadas, com o governo do Burundi acusando Ruanda de apoiar os rebeldes que tentam organizar um golpe para derrubar o falecido presidente Nkurunziza. Ao mesmo tempo, o governo de Ruanda acusa Burundi de proteger a terrorista Force Democratic de Liberation du Rwanda, ou FDLR. O presidente Paul Kagame de Ruanda disse recentemente que Ruanda está pronto para normalizar as relações com o novo presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye. No entanto, Ndayishimiye recusou a oferta, exigindo que os organizadores do golpe sejam entregues primeiro para enfrentar a justiça.

Enquanto isso, a Quênia e a Tanzânia relativamente estáveis estão trocando cara a cara enquanto abrem cuidadosamente suas economias, com a Al Jazeera relatando que a Quênia não listou os cidadãos tanzanianos entre aqueles que podem voar para a Quênia, e a Tanzânia, por sua vez, proibiu a Kenyan Airways de voar em Dar es Salaam.

Nos últimos anos, o bloco da Comunidade da África Oriental tem promovido um mercado comum, uma moeda única, fronteiras abertas e grandes projetos de infraestrutura como a Ferrovia Standard Gauge. Mas com as rixas continuando entre Ruanda, Uganda e Burundi, o futuro da organização parece imprevisível.