Em uma grande reviravolta política, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau anunciou em março que o Canadá recusaria requerentes de asilo que tentassem atravessar a fronteira dos EUA. A decisão é considerada uma medida protetora contra a transmissão do COVID-19. Em 16 de junho, esse pedido foi prorrogado por mais um mês, até pelo menos 21 de julho. Se os solicitantes de asilo chegarem à fronteira antes de 21 de julho e entrarem em contato com a Polícia Montada Real do Canadá, correm o risco de serem entregues ao ICE nos Estados Unidos e enviados para centros de detenção. De lá, eles poderiam ser deportados.

Desde março, um pequeno número de requerentes de asilo – principalmente haitianos – foi devolvido à fronteira, inclusive no conhecido cruzamento irregular da Roxham Road em Nova York, localizado a oito quilômetros da passagem oficial mais próxima da fronteira. Anteriormente, as autoridades haviam permitido que os solicitantes de asilo atravessassem a Roxham Road, bem como em portos de entrada oficiais, como Niagara Falls e Champlain – St. Bernard de Lacolle.

Nos últimos anos, a maioria dos cidadãos africanos que solicitam asilo no Canada viram da Nigéria, República Democrática do Congo, Sudão, Eritreia, Angola e Burundi. A informação de boca a boca indica que os solicitantes de asilo começaram a pesar dos benefícios á deixar o Maine para o Canadá em 2017, quando a retórica anti-imigrante da atual administração sinalizou que o sistema de solicitação de asilo dos EUA estava quebrado. Alguns dos requerentes de asilo que chegaram no Maine no verão de 2019 a partir da fronteira sul continuaram no Canadá a partir de Portland naquela época.